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CLOUD ATLAS ( A VIAGEM) 2012

CLOUD ATLAS ( A VIAGEM) 2012

“Cloud Atlas” é daqueles filmes que causa sempre alguma curiosidade em quem gosta de Cinema; não só é um filme que se propões a adaptar uma obra literária (“Cloud Atlas” de David Mitchell) considerada por muitos como inadaptável como também reúne os esforços de um elenco de actores de renome que teriam de interpretar várias personagens diferentes no decorrer da narrativa bem como une a criatividade de três realizadores com estilos muito distintos: Os irmãos Wachowski (Trilogia “Matrix”, “Speed Racer”) e Tom Tykwer (“Lola Rennt”, “Perfume – História de um assassino”). Os dados estavam então lançados e a curiosidade aguçada.

De forma simplificada e cronológica estes são os episódios que nos são dados a acompanhar:
– Uma viagem pelo Pacifico Sul durante o século 19, onde um advogado (Jim Sturgess) viaja até uma ilha com o intuito de concluir um negócio em nome do seu sogro e onde pode ver com os seus próprios olhos os problemas da escravidão.
– O percurso de um jovem compositor homossexual dos anos 30 (Ben Wishaw) do século XX que começa a trabalhar como amanuense para um conceituado compositor belga, acabando por criar a sua própria grande obra, o “Sexteto Cloud Atlas” e envolvendo-se em conflito com o seu mestre.
– A história de uma jornalista dos anos 70 chamada Luisa Rey (Halle Berry) que se vê no meio de uma conspiração que tenta desmascarar os planos que os lideres petrolíferos têm de forma a destruir a credibilidade da energia nuclear, pondo em causa mesmo a segurança da população.
– A vida de um velho editor literário contemporâneo (Jim broadbent) que vê a sua vida complicar-se depois do seu principal cliente matar um critico literário em plena festa de lançamento de um livro e após o seu próprio irmão o fechar num lar para idosos que em tudo se assemelha a uma cruel prisão.
– A libertação de uma clone coreana (Doona Bae) em Nova Seul por parte de um grupo rebelde e as consequências desta libertação para o resto da civilização mundial
– Um mundo onde as consequências de todas as histórias anteriores levaram a uma sociedade pós apocalíptica e primitiva onde um pastor de cabras (Tom Hanks) se vê obrigado a enfrentar os seus medos após um acto de cobardia.

Em termos de história “Cloud Atlas” é bem mais simples do que parece, sendo verdade que o filme contém seis histórias diferentes passadas em locais separados tanto no tempo como no espaço, mas essas mesmas histórias fazem parte de uma linha narrativa que segue uma alma humana ao longo de uma jornada de descoberta e redenção durante várias encarnações, e que mostra como as acções de um indivíduo criam uma cadeia de acontecimentos que ecoam através dos tempos, por diferentes civilizações, fazendo com que todas as histórias de todos os indivíduos sejam na verdade apenas parte de uma narrativa muito maior que começou muito antes de nós surgir-mos em cena e que permanecerá em desenvolvimento muito depois de nós deixar-mos de existir. Mas é a forma como o filme salta de história em história que acaba por ser o seu ponto mais forte. Durante o primeiro terço do filme Cloud Atlas obriga-nos a viajar para trás e para a frente ao longo de 500 anos sem qualquer tipo de critério, como se fosse um puzzle cujas peças nos são dadas uma de cada vez e é a nossa função enquanto espectador procurar o local certo para encaixar essa peça. Esta jogada pode baralhar o espectador mais desatento mas cria uma enorme sequência de cliffhangers que fazem de seis histórias simples algo muito mais interessante e divertido do que parece; uma viagem que vale por si mesma e não tanto pelo seu destino e que nos vai ficar na cabeça durante horas e dias após o seu visionamento (e que provavelmente nos vai revelando novas informações mesmo após ter-mos visto o filme várias vezes).

Os Wachowski fizeram um trabalho excelente na criação dos mundos futuristas bem como da representação do séc. XIX. Os cenários de Nova Seul fazem-nos ver claramente que se trata de um filme com mão de Andy e Lana Wachowski e remetendo-nos imediatamente a filmes como “Matrix” e “Speed Racer” (goste-se ou não deste filme, é um excelente exemplo do estilo destes realizadores) e as cenas de acção são interessantes quanto baste para nos manter agarrados. Já Tom Tykwer ficou com os segmentos mais contemporâneos passados nos anos 30, 70 e 2012, onde consegue criar uma atmosfera totalmente diferente daquela criada pelos Wachowski nos seus segmentos mas sem se afastar muito em termos temáticos do resto do filme. Para além disso Tykwer contribuiu também (como é habitual nos seus filmes) para a banda sonora, outro dos pontos fortes de “Cloud Atlas”.

Em relação ao elenco e apesar de nomes como Tom Hanks, Hugo Weaving, Susan Sarandon ou Halle Berry, o destaque vai todo (na minha opinião) para Doona Bae, a actriz sul-coreana já conhecida no ocidente pelo seu trabalho em (“Sympathy for Mr. Vengeance” e “The Host”) e que através do segmento decorrido em Nova Seul carrega grande parte do filme às costas, criando a personagem mais forte e mais interessante de todo o filme. Jim Broadbent também consegue estar bastante bem em todos os segmentos em que aparece e funciona de forma fantástica como comic-relief no segmento que protagoniza. Quanto ao resto do elenco, embora seja difícil dizer quem seja o membro mais fraco, talvez acabe por escolher Tom Hanks, pareceu-me sempre faltar algo de especial ás suas personagens, nunca lhe tirando no entanto o mérito de desempenhar seis personagens totalmente diferentes num único filme. Talvez o excesso de desdobramento tenha causado alguma quebra de coerência no seu desempenho.

De forma geral, “Cloud Atlas” acaba por ser um filme agradável, mas não mais do que isso. Talvez as expectativas fossem demasiado altas, talvez o produto esteja demasiado aquém do que deveria estar, mas o certo é que não deixa de ser um bom filme para se ver no grande ecrã e que valerá certamente o custo do bilhete de cinema, quando mais não seja pela sua duração.

 
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Publicado por em janeiro 4, 2012 em Eventos

 
 
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